
Alguma hora da madrugada que não consigo ao certo identificar. Há o frio, a morbidez esfumaçada, o asfalto umedecido, tudo alocado por mãos mestres no intuito de compor o perfeito cenário. O que esperam dessas horas indefinidas? Nem é a embriaguez da noite, nem o frenesi insano do dia. É uma hora perigosa, limítrofe de todas as sensações e acontecimentos, quem está fora de casa, começa a sentir a fome reclamar, quem está nela, ou se entrega à anestesia do sono, ou à inquietude de querer viver a vadiagem por detrás dos muros. E não poder.
Ainda me questiono se a lógica é justa, custo e recompensa vêm na mesma medida? Talvez, fugindo de becos, safando-se de ter que encarar um espelho no final do dia. Por mais que o ensaboe, que esfregue o rosto, jogue água e mais água, a sujeira está lá, impregnada além da pele,no mais profundo da alma. Nada é capaz de arrancá-la da perfeita instalação chamada consciência. Não é sempre que se precisa de compreensão. Às vezes, suprir um instinto de abrigo, sem a necessidade de ter que se explicar o tempo todo é o maior dos desejos. A rua sempre se enquadrou perfeitamente a essa incumbência.
Passo os olhos em vivos e mortos a todo instante. Os mortos dormem seu sono noturno, os vivos, acordam para as estrelas. Os que têm no limbo o leito, como eu, nem dormem nem são capazes de admirar o brilho do céu. Há uma espécie de cegueira para certas sensibilidades, incurável, cujo único benefício é não sentir a dor da morte que se aproxima a cada segundo respirado. Sabendo desse dom, há muito pouco pelo qual se preservar.
Madrugada, caminho por você como quem não tem mais nada melhor do que simplesmente gastar horas de vida, entre semi-vivos e semi-mortos que a habitam. Disseram-me sobre viver, seria como caminhar entre sanidade e loucura, temperado com a pureza de um homem primitivo. Mas ensinaram-me tarde demais, já não há hora depois do crepúsculo, nem antes do sol se pôr, e a madrugada com suas armadilhas de deboche é a única que me acolhe. Champanhe a ela, à minha anfitriã, não recusou meus remorsos, minha alma imunda, a sordidez impregnada em algo que certa vez me atrevi a chamar de espírito. A condenação é implacável.
A rua tem o vento que sopra livre sem nenhum transeunte a atrapalhar. Tem o medo compartilhado que iguala a todos sob o manto de sombras nas horas altas da madrugada. Eis minha perfeita imagem, vulto, ruídos abafados e obscuridade.
Ainda me questiono se a lógica é justa, custo e recompensa vêm na mesma medida? Talvez, fugindo de becos, safando-se de ter que encarar um espelho no final do dia. Por mais que o ensaboe, que esfregue o rosto, jogue água e mais água, a sujeira está lá, impregnada além da pele,no mais profundo da alma. Nada é capaz de arrancá-la da perfeita instalação chamada consciência. Não é sempre que se precisa de compreensão. Às vezes, suprir um instinto de abrigo, sem a necessidade de ter que se explicar o tempo todo é o maior dos desejos. A rua sempre se enquadrou perfeitamente a essa incumbência.
Passo os olhos em vivos e mortos a todo instante. Os mortos dormem seu sono noturno, os vivos, acordam para as estrelas. Os que têm no limbo o leito, como eu, nem dormem nem são capazes de admirar o brilho do céu. Há uma espécie de cegueira para certas sensibilidades, incurável, cujo único benefício é não sentir a dor da morte que se aproxima a cada segundo respirado. Sabendo desse dom, há muito pouco pelo qual se preservar.
Madrugada, caminho por você como quem não tem mais nada melhor do que simplesmente gastar horas de vida, entre semi-vivos e semi-mortos que a habitam. Disseram-me sobre viver, seria como caminhar entre sanidade e loucura, temperado com a pureza de um homem primitivo. Mas ensinaram-me tarde demais, já não há hora depois do crepúsculo, nem antes do sol se pôr, e a madrugada com suas armadilhas de deboche é a única que me acolhe. Champanhe a ela, à minha anfitriã, não recusou meus remorsos, minha alma imunda, a sordidez impregnada em algo que certa vez me atrevi a chamar de espírito. A condenação é implacável.
A rua tem o vento que sopra livre sem nenhum transeunte a atrapalhar. Tem o medo compartilhado que iguala a todos sob o manto de sombras nas horas altas da madrugada. Eis minha perfeita imagem, vulto, ruídos abafados e obscuridade.
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